Não teria entrado no mundo da arte se não tivesse, na infância, no interior de São Paulo, me envolvido com a confecção de pipas e a soltura (perigosa) de balões juninos. Dediquei boa parte de meu tempo livre da infância e adolescência à confecção de pipas e balões. Ainda me lembro do cheiro dos papéis de seda dobrados, da cola branca , da vela derretida e das infinitivas rabiolas dançando no ar...
Mais tarde, ao vir morar na capital paulista, retomei essas memórias através de tela e tinta. Da mesma forma que um balão e uma pipa soltos ao acaso, segui o caminho incerto, atmosférico e vaporoso em minhas telas .
Algo que sintetiza arte para mim é essa busca da incerteza, do novo, ou seja, construir algo que não existia antes; frase simples para um processo bastante complexo. Um pensamento atribuído a Duchamp sintetiza: a arte é aquilo que ocorre entre o pensado e o que foi executado.
Busco em meu trabalho uma grande dose de acaso, do inesperado, em que a ideia inicial é constantemente colocada em cheque pela prática, pelas cores e suas interações. Ao mesmo tempo que a força da cor por si só (um monocromo por exemplo) pode ser exuberante, a interação das cores produzem resultados que também fascinam pelos seus acidentes e diversidades.
Assim, interesso-me sobretudo pelo atrito inicial entre cor e forma. Onde nem sempre é necessária uma forma complexa para que a cor demonstre seu valor. Se enxergamos a pintura por um viés de quase esgotamento das formas, ela acaba tornando-se uma negociação com as próprias bordas do quadro, com a própria natureza solvente da tinta ou com a própria repetição e serialização das telas lado a lado (ainda que essa repetição ocorra com densas diferenças entre elas).
Trabalho a pintura em várias séries ao mesmo tempo e esse é meu modo de explorar suas potencialidades. O que pintei cinco anos atrás pode voltar com muita força para desenvolver novas séries e caminhos para minha pintura. Uma série, para mim, vai enriquecendo e alimentando a outra por vias quase inesgotáveis. Gosto da pintura de grande escala, como uma tela de cinema, onde a sucessão de acontecimentos se dão com cores e formas vibrantes.
“De qualquer forma, como observou Robert Musil há cinquenta anos, se algum tipo de pintura ainda está por vir, e se ainda haverá pintores, eles não virão de onde esperamos”. , Yve-Alains Bois – “A pintura como modelo”.
Biografia
Formação: – Graduação em história - Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, 2006.
Ingresso no Mestrado em Poéticas Visuais – Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo , 2016-2017 (disciplinas concluídas).
Cursos livres: -Cinema e direção de arte – Vera Hamburger, 2011 – Centro Cultural Barco.
-Pintura, prática e reflexão – Paulo Pasta – Instituto Tomie Ohtake, 2011 a 2013.
- Formas de pensar o desenho – Edith Derdyk - Instituto Tomie Ohtake - 2012.
- Arte: Objeto e Coisa Pública- José Resende – Sesc Pompéia , 2013.
- História da arte – Rodrigo Naves – RN Difusão Cultural - 2014.
- Arte Contemporânea – Tiago Mesquita – RN Difusão Cultural - 2015.
Exposições: -Núcleo de Cursos Espaço do Olhar - Instituto Tomie Ohtake 2012 e 2013.
Festival de pintura – Instituto de artes – Unesp Barra Funda, 2018.


